Eu tive um Fusca, por quase um ano.
"Um fusquinha laranja muito engraçadinho", era uma descrição bem rasa do que ele era, quer dizer, do que ele foi pra mim, porque ele continua sendo tantas outras coisas pra outro alguém. Eu o chamava de Bil, que eram as letras de sua placa e era um apelido pro nome que demos: BumbleBil.
Apesar do pouco tempo que a gente ficou junto, eu me apeguei tanto que chorei quando vi ele indo embora. Precisamos vender porque, um carro antigo e mal cuidado, demanda tempo e dinheiro, que eu não tinha naquele momento.
Gastamos tudo o que podíamos (e não podíamos), fizemos tudo da melhor forma possível, restaurando peças, investindo em peças originais, estética bacana.
Trocamos volante, pneus, tapeçaria, freio, suspensão, caixa de direção, câmbio, escapamento... Enfim, tudo que precisava. Deixamos o Bil feliz, depois de quase um ano encostado pegando poeira, ele foi amado e cuidado.
Sim, eu tô falando de um carro como se fosse um bichinho de estimação. Eu sou assim mesmo, acostumem-se.
Bil deu um trabalhão. Tinha um problema crônico no freio que, não importa o que fizéssemos, sempre voltava. Por fim, achamos um mecânico que descobriu o que era: faltava uma trava no encaixe da roda, alguma coisa que impede que a lona se expanda conforme freia. Uma peça de desmanche, R$30 e o problema tava resolvido. Acontece que já havíamos gastos uns R$700 com outras tentativas de sanar o problema. Tudo bem. Resolveu, tá bão.
Fizemos também umas gracinhas, como colocar farol de milha, faróis originais, tapetes novos de carpete bordado, manopla de bola de bilhar com o ano e cor do carro, restauramos a tampa do porta-luvas...
Ufa, foram tantas coisas, tanto $$, tanto tempo... Pra ver ele indo.
Ele precisava ir porque nós precisamos de outro carro, pra trabalho e, não dava pra manter dois, não tinha espaço pra guardar.
Ele se foi, mas não sem antes nos dar uma última dor de cabeça: a roda caiu enquanto o moço dirigia levando-o embora. Sim, a roda saiu e foi rodando em frente ao carro que arriou no asfalto 🤦🏼♀️
Corremos pra socorrer, com o coração na mão do moço querer devolver. O que a gente ia fazer se ele não quisesse mais o carro?
Fiquei pensando: "Acho que o Bil não quer ir embora. Talvez seja melhor a gente ficar com ele e dar um jeito."
"Que jeito maluca? Não tem como!" - também sou eu respondendo a mim mesma 😁
O Bil foi, eu fiquei triste, mas me recuperei rápido. O DigJoy chegou e tá nos levando pra tudo quando é lado. Estamos felizes! Mas sempre que vejo uma foto do Bil, fico com saudade. Toda vez que vejo um Fusca na rua, eu quero ter outro. Quem sabe um dia...
Comentários
Postar um comentário